Paralisação ocorre em meio a prejuízo de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre e à busca da estatal por um novo empréstimo de R$ 7 bilhões.
Os funcionários dos Correios em todo o país seguem em greve por tempo indeterminado desde a última sexta-feira, dia 11 de setembro, após o fracasso nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho para o período 2026/2027. A paralisação, aprovada em assembleias sindicais em diversos estados, já afeta o funcionamento de agências e o prazo de entregas em diferentes regiões do país.
Como começou a paralisação
Funcionários dos Correios em todo o Brasil iniciaram a greve por tempo indeterminado na sexta-feira (11), em movimento organizado pela federação nacional dos trabalhadores, a Findect. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos de Minas Gerais, Leonan Melo, todos os trabalhadores concursados, tanto nas agências quanto entre os carteiros, podem paralisar as atividades, o que pode interferir diretamente nas agências, nas entregas e em todos os serviços prestados pela estatal.
A paralisação foi aprovada por assembleias sindicais da categoria depois do fracasso nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 com a direção da estatal. O movimento começou às 22h de quinta-feira (10), e das 35 assembleias realizadas até o fechamento do anúncio da federação, todas aprovaram a paralisação.
As reivindicações dos trabalhadores
Os principais problemas discutidos nas negociações envolveram a discordância sobre mudanças no custeio e na gestão do plano de saúde dos empregados. Os funcionários também consideraram insuficiente a proposta inicial da empresa de reajuste salarial, rejeitando um índice de 0,87% apresentado pela direção dos Correios, segundo o sindicato paulista da categoria.
Além da questão salarial, os trabalhadores se posicionam contra medidas de corte de gastos, fechamento de agências e retirada de gratificações que vinham sendo discutidas ao longo da campanha salarial. A pauta reivindicatória inclui ainda a defesa dos empregos e a oposição a mudanças operacionais que, segundo a categoria, poderiam comprometer a qualidade do atendimento à população.
A negociação frustrada no Tribunal Superior do Trabalho
Representantes dos trabalhadores, dos Correios e do Tribunal Superior do Trabalho participaram de rodadas de negociação e mediação durante toda a campanha salarial. A tentativa mais recente, realizada em 10 de setembro, terminou sem acordo, segundo a Findect. Diante do impasse, a categoria levou a decisão final para as assembleias regionais, que aprovaram a paralisação em praticamente todas as unidades consultadas.
O momento é especialmente delicado para as contas da estatal: os Correios enfrentam uma crise financeira severa, registrando um prejuízo líquido de 5,6 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026. Esse cenário financeiro deficitário está diretamente ligado às negociações trabalhistas, já que a empresa tenta equilibrar a redução de custos com a manutenção das operações e do atendimento à população em todo o território nacional.
Como fica o atendimento à população
Por ser considerado serviço essencial, o funcionamento dos Correios não é interrompido por completo mesmo durante a greve. As agências seguem abertas, e postagens, retiradas e demais serviços continuam sendo realizados normalmente na maioria das unidades do país. A paralisação costuma ocorrer de forma parcial e regionalizada, o que significa que o impacto varia bastante entre estados e cidades, dependendo da adesão dos servidores em cada sindicato regional.
Apesar da continuidade dos serviços em boa parte do país, é possível que o volume de encomendas em trânsito gere atrasos pontuais, já que o fluxo logístico da estatal precisa se reorganizar durante e depois de um movimento grevista dessa magnitude. Consumidores e empresas que dependem de envios pelos Correios devem, portanto, considerar possíveis prazos mais longos para recebimento e entrega de encomendas nos próximos dias.
O que esperar para os próximos dias
Com a paralisação em curso por tempo indeterminado, a expectativa é que novas rodadas de negociação sejam retomadas entre a Findect, a direção dos Correios e o Tribunal Superior do Trabalho, na tentativa de encontrar uma solução que atenda tanto às demandas da categoria quanto à necessidade da estatal de equilibrar suas contas. Até que um novo acordo seja firmado, a adesão ao movimento deve seguir variando conforme as deliberações de cada sindicato regional espalhado pelo país.
Fontes:
https://www.otempo.com.br/economia/2026/9/11/funcionarios-dos-correios-entram-em-greve-por-tempo-indeterminado-em-todo-o-brasil
https://agenciagbc.com/2026/09/11/greve-dos-correios-comeca-em-todo-o-pais-afeta-trabalhadores-e-pode-impactar-entregas-veja-o-que-muda/
https://soumaispop.com.br/2026/09/11/trabalhadores-dos-correios-entram-em-greve-em-todo-o-brasil-por-tempo-indeterminado/