Créditos estressados: Entenda com Felipe Rassi o que são e por que esse mercado cresce no Brasil

Por Diego Velázquez 6 Min Read
Felipe Rassi

Conforme menciona o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, os créditos estressados ganharam espaço no mercado financeiro brasileiro nos últimos anos, tendo em vista os períodos de juros elevados, o aumento da inadimplência e a desaceleração econômica. Esse segmento passou a atrair instituições financeiras, fundos especializados e investidores interessados em operações com maior potencial de retorno e recuperação de ativos.

Ao mesmo tempo, o crescimento do crédito no país ampliou o volume de dívidas em situação de atraso, fortalecendo o mercado de NPLs (Non-Performing Loans, em português, são chamados de crédito não produtivo ou de créditos estressados). Esse movimento envolve desde bancos tradicionais até gestoras, securitizadoras e empresas focadas em cobrança estratégica. Interessado em saber mais sobre? Continue a leitura e entenda como funcionam os créditos estressados, quais agentes participam desse mercado e por que esse segmento segue em expansão no Brasil.

O que são créditos estressados?

Créditos estressados são dívidas com alto risco de inadimplência ou que já apresentam atraso relevante nos pagamentos. Em muitos casos, esses ativos deixam de gerar retorno esperado para bancos e credores, tornando-se operações classificadas como crédito não produtivo. Segundo Felipe Rassi, esse tipo de ativo pode envolver empresas em recuperação judicial, consumidores inadimplentes ou contratos com baixa probabilidade de liquidação no curto prazo.

Na prática, instituições financeiras costumam vender esses créditos com desconto para fundos e empresas especializadas em recuperação de ativos. Esse processo permite que bancos reduzam exposição ao risco e melhorem indicadores financeiros. Por outro lado, compradores assumem a operação buscando recuperar parte ou a totalidade da dívida por meio de renegociação, reestruturação financeira ou execução de garantias.

O mercado de créditos estressados também envolve diferentes níveis de complexidade. Alguns ativos possuem garantias reais, enquanto outros dependem exclusivamente de negociação. Ademais, existem operações vinculadas a setores específicos, como agronegócio, construção civil, varejo e indústria. Essa diversidade faz com que o segmento exija análise jurídica, financeira e operacional bastante detalhada, como pontua o especialista em créditos estressados, Felipe Rassi.

Quem participa do mercado de créditos estressados?

O crescimento desse setor ampliou o número de agentes envolvidos nas operações. De acordo com Felipe Rassi, o mercado de créditos estressados depende de uma cadeia estruturada, formada por instituições que atuam tanto na originação quanto na recuperação das dívidas. Isto posto, entre os principais participantes, destacam-se:

  • Bancos e instituições financeiras: originam operações de crédito e frequentemente vendem carteiras inadimplentes para reduzir exposição ao risco.
  • Fundos especializados: adquirem créditos estressados com desconto, buscando rentabilidade por meio da recuperação parcial ou integral dos ativos.
  • Securitizadoras: estruturam operações financeiras ligadas à transformação desses créditos em ativos negociáveis.
  • Escritórios jurídicos e consultorias: atuam na análise contratual, recuperação judicial, renegociação e execução de garantias.
  • Empresas de cobrança e recuperação de ativos: trabalham diretamente na recuperação financeira e operacional das carteiras adquiridas.
Felipe Rassi
Felipe Rassi

Esse ecossistema se tornou mais sofisticado nos últimos anos. Além disso, o avanço regulatório e a profissionalização das análises financeiras aumentaram a segurança das operações. Como resultado, investidores passaram a enxergar os créditos estressados não apenas como ativos problemáticos, mas também como oportunidades estratégicas de valorização.

Por que o mercado de créditos estressados cresce no Brasil?

Por fim, o crescimento desse segmento está diretamente ligado ao comportamento da economia brasileira. Segundo o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, taxas de juros elevadas, redução da capacidade de pagamento e aumento do endividamento corporativo ampliam naturalmente o volume de inadimplência. 

Outro fator relevante envolve a expansão do crédito nos últimos anos. Quanto maior a concessão de financiamentos, maior tende a ser o número de contratos problemáticos em cenários de desaceleração econômica. Isso ocorre porque empresas e consumidores ficam mais vulneráveis a oscilações de receita, inflação e aumento do custo financeiro.

Além disso, o ambiente jurídico brasileiro passou por transformações importantes. A modernização de mecanismos ligados à recuperação judicial e renegociação empresarial aumentou a previsibilidade das operações envolvendo créditos estressados. Essa mudança ajudou a fortalecer a confiança de investidores institucionais interessados em recuperação de ativos e reestruturação financeira.

O avanço estratégico dos créditos estressados no cenário brasileiro

Em conclusão, o mercado de créditos estressados deixou de ser visto apenas como um ambiente de alto risco e passou a ocupar posição relevante dentro do sistema financeiro brasileiro. A combinação entre inadimplência crescente, expansão do crédito e profissionalização da recuperação de ativos fortaleceu esse segmento nos últimos anos.

Assim sendo, a tendência é que o mercado de NPLs continue evoluindo, especialmente diante da necessidade de reestruturação financeira de empresas e otimização de carteiras bancárias. Nesse contexto, os créditos não produtivos passaram a representar não apenas um problema financeiro, mas também uma oportunidade estratégica para investidores especializados.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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