Caixa aciona TST após mediação terminar sem acordo e greve dos bancários continua

Por Emil Nordberg 6 Min Read

Banco decidiu levar o impasse à Justiça do Trabalho após tentativa de conciliação fracassar; paralisação começou em 10 de setembro

Caixa aciona TST após mediação terminar sem acordo e greve dos bancários continua

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal entrou em uma nova etapa nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, depois que uma tentativa de mediação realizada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) terminou sem acordo entre o banco e os representantes dos trabalhadores. A paralisação começou em 10 de setembro e permanece em diferentes unidades do país. O principal ponto de divergência nas negociações envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica oferecido aos empregados.

A sessão de mediação ocorreu na quarta-feira (23), com participação da Caixa, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), da Contec e do Ministério Público do Trabalho (MPT). Como não houve consenso, a Caixa informou nesta quinta que pretende acionar formalmente o TST por meio de um dissídio coletivo, buscando uma solução para o impasse. (Folha de S.Paulo)

Greve chega a nova fase após tentativa de acordo no TST

A paralisação dos empregados da Caixa começou nacionalmente em setembro e avançou mesmo após novas propostas apresentadas pelo banco. Os trabalhadores rejeitaram a terceira proposta em assembleias realizadas na segunda-feira (21), mantendo a greve por tempo indeterminado. O impasse envolve principalmente as condições de custeio do plano de saúde dos funcionários. (Folha de S.Paulo)

A tentativa de mediação no TST foi realizada a pedido do Ministério Público do Trabalho, que buscava aproximar as partes antes de um eventual processo de dissídio coletivo. Segundo o próprio tribunal, a reunião terminou sem acordo, embora as partes ainda possam buscar uma solução consensual durante o andamento do conflito. (Sindicato dos Bancários de SP)

Depois da reunião, a Caixa decidiu recorrer ao TST por meio de dissídio coletivo. O banco afirmou que busca uma solução institucional que ofereça segurança jurídica e previsibilidade para as partes envolvidas. A decisão representa uma mudança na condução do conflito, que até então vinha sendo tratada principalmente por meio de negociações entre a instituição e as entidades que representam os empregados. (Folha de S.Paulo)

Saúde Caixa está no centro das negociações

O principal ponto de divergência é o modelo de custeio do Saúde Caixa. Entre as propostas apresentadas pelo banco está a ampliação do teto de participação da instituição sobre a folha de pagamento, passando de 6,5% para 9% a partir de 2027. A proposta também prevê mudanças nas contribuições de titulares e dependentes. (Folha de S.Paulo)

Os representantes dos trabalhadores, por sua vez, defendem mudanças nas regras do plano e contestam os impactos financeiros que as alterações poderiam produzir para os empregados e suas famílias. A terceira proposta apresentada pela Caixa foi submetida às assembleias na segunda-feira e acabou rejeitada, mantendo a paralisação.

A discussão sobre o plano de saúde também envolve trabalhadores aposentados e regras para empregados admitidos em diferentes períodos. As entidades sindicais apresentaram reivindicações relacionadas ao modelo de custeio e às condições de permanência no plano após a aposentadoria. (Estado de Minas)

Atendimento ao público continua por canais digitais e alternativos

Apesar da greve, serviços importantes da Caixa continuam disponíveis por canais digitais e por estruturas alternativas de atendimento. Pagamentos, consultas e outras operações podem ser realizados pelo aplicativo da instituição, pelo site, pelos caixas eletrônicos, pelas casas lotéricas e pela rede Banco24Horas, entre outras opções. (Folha de S.Paulo)

A Caixa também informou que pagamentos de benefícios sociais continuam sendo realizados normalmente. Entre eles estão os depósitos relacionados ao Bolsa Família e ao programa Pé-de-Meia, que são processados de maneira automatizada e não dependem exclusivamente do funcionamento presencial das agências. (Folha de S.Paulo)

Para clientes que precisam de atendimento presencial, entretanto, a situação pode variar de acordo com a adesão dos funcionários à paralisação em cada unidade. Relatos divulgados durante a greve apontam funcionamento parcial ou fechamento de agências em diferentes regiões, enquanto parte dos serviços administrativos e digitais continua operando.

Com a decisão da Caixa de levar o conflito ao TST, os próximos passos passam a depender do processo na Justiça do Trabalho e da possibilidade de novas negociações entre as partes. Até que haja uma nova decisão ou acordo, a paralisação continua e o atendimento presencial pode permanecer limitado em determinadas unidades.

Fontes: Folha de S.Paulo — Caixa decide acionar o TST contra greve nacional dos bancários · TST/Sindicato dos Bancários — Mediação termina sem acordo · Folha de S.Paulo — Mediação no TST termina sem acordo

Compartilhe esse Artigo